CEMITÉRIO CATUMBI – S. FRANCISCO DE PAULA
RIO DE JANEIRO
Por Carlos Eduardo de Almeida Barata
Este artigo aborda os Irmãos da Ordem Terceira de São Francisco de Paula, sepultados no seu antigo Cemitério.
Os nomes aqui apresentados, quando possível acrescidos de notas genealógicas e biográficas, fazem deste artigo um trabalho de grande abrangência geográfica, porque nesse cemitério - conhecido como o Cemitério da Nobreza Brasileira – podem ser encontradas famílias de todos os estados brasileiros, além de Portugal e outros países.
O enterramento dos irmãos e irmãs da Ordem Terceira dos Mínimos de São Francisco de Paula, sepultados em carneiros arrendados, de propriedade, em Capelas ou Jazigos, teve princípio em 1850, época em que o Cemitério foi inaugurado.
Cabe lembrar que, pelo Alvará de 1810, foi proibido o enterramento nas igrejas e suas dependências, prática que permaneceu ainda em uso até meados do século XIX, causando grandes inconvenientes para a população que aumentava. A Igreja da Ordem de São Francisco de Paula, pelos anos de 1845 já contava com suas catacumbas quase inteiramente ocupadas. No ano de 1849, o comendador Manoel Pinto da Fonseca, então Corretor da Ordem, resolveu transferir o primitivo e acanhado cemitério das catacumbas para outro lugar, mais vasto e fora da cidade, adquirindo, para isso, os terrenos onde hoje está instalado o Cemitério de São Francisco de Paula ou Cemitério do Catumbi – como é popularmente conhecido, em razão do nome do bairro onde está localizado.
No ano de 1850, ao grassar na cidade do Rio de Janeiro a epidemia da febre amarela, o grande número de vítimas que pereciam diariamente extrapolava os espaços disponíveis para os sepultamentos. O Governo Imperial resolveu apelar para a Ordem de São Francisco de Paula, única que então possuía campo santo extra-muro para seus mortos, até então exclusivo para os Irmãos.
Assim, sepultaram-se naquela ocasião 2.945 pessoas que não eram Irmãos da Ordem, cujos nomes não constam da relação que segue. Até o fim da epidemia e começo do regular funcionamento dos cemitérios, isto é, de 8 de Março a 26 de Junho de 1850, sepultaram-se, além dos 2.945 féis estranhos à Ordem, mais 323 Irmãos, perfazendo o total de 3.268 sepultamentos.
A construção da Igreja de São Francisco de Paula teve princípio em 18 de outubro de 1758, e a 5 de Janeiro de 1759 foi lançada a primeira pedra. Entre 1760 e 1850, sepultaram-se em suas catacumbas cerca de 457 irmãos, cujos corpos foram transladados para o novo cemitério, em 1850, como dito acima.
Segue a relação somente dos Irmãos e Irmãs sepultados no Cemitério a partir de 1850, em carneiros arrendados e/ou em perpetuidade.